FILOSOFIA - 2o ANO - REVISÃO - PROVA DA 3a ETAPA
OBSERVE QUE:
- A revisão pode ser usada para o conhecimento geral do assunto;
- Especificamente os capítulos 15 e 16 PRECISAM SER ESTUDADOS NO LIVRO, pois são os assuntos novos;
- A revisão tem quatro partes:
I. Conteúdo estudado. II. Glossário de expressões e conceitos filosóficos. III. Lista dos autores e ideias mais importantes. IV. Exercícios de revisão
I. REVISÃO DO CONTEÚDO
A Ética da Virtude e a Ética do Dever
A filosofia moral nos desafia a pensar sobre o que é uma vida boa. Para o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), a chave para a felicidade, ou eudaimonia, não está em prazeres momentâneos, mas em um viver bem que dura por toda a vida. Ele defendia a ética da virtude, na qual a felicidade é alcançada por meio da atividade da alma em conformidade com a excelência, ou virtude (areté). A virtude, por sua vez, é um hábito, adquirido pela prática, de agir de acordo com a razão, encontrando o "meio-termo" entre dois extremos. Por exemplo, a generosidade é a virtude que fica entre a avareza (a falta) e a prodigalidade (o excesso). Diferente de uma regra externa, a ética aristotélica se concentra no desenvolvimento do caráter de quem age.
Em contraste, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724 - 1804) propôs uma abordagem radicalmente diferente. Para ele, a moralidade não tem a ver com a busca pela felicidade, mas com o dever. Sua ética do dever defende que uma ação só é moralmente correta se for realizada por boa vontade, ou seja, por respeito à lei moral em si mesma, sem qualquer outra intenção. Kant formulou o imperativo categórico, que é uma lei moral universal e incondicional. Ele pode ser entendido de duas maneiras principais: a primeira, que a máxima de sua ação deve poder se tornar uma lei universal; a segunda, que você deve tratar a humanidade (em si mesmo ou nos outros) sempre como um fim em si mesmo, e nunca apenas como um meio. Essa ética se afasta das consequências da ação, focando na intenção e na racionalidade pura.
A Subjetividade e a Construção do Ser
A questão da identidade humana também tem sido fonte de profundo debate. O filósofo francês René Descartes (1596-1650) lançou as bases da filosofia moderna ao buscar um conhecimento indubitável. Após submeter tudo à dúvida metódica, ele chegou à única certeza: o ato de duvidar, que é uma forma de pensar. Assim, "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum) estabeleceu o sujeito pensante como o fundamento da existência. A identidade, para Descartes, é essencialmente uma substância pensante, um ser racional, distinto do corpo físico.
Contudo, outras filosofias veem a identidade não como algo inato, mas como algo construído. O filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) argumentou que o ser humano é um ser histórico e social, cuja essência se forma pela práxis — a atividade prática e transformadora da realidade. Para Marx, a história não é uma sequência de eventos aleatórios, mas o resultado da luta de classes, um processo no qual os homens, por meio de sua atividade produtiva, moldam a sociedade e, consequentemente, a si mesmos. O ser humano não é apenas um ser que pensa, mas um ser que age em conjunto com outros, produzindo as condições de sua própria existência.
Essa ideia de construção social foi aprofundada por Simone de Beauvoir (1908-1986). Em sua obra seminal, O Segundo Sexo, ela desmistificou a ideia de uma "natureza feminina" inata. Sua famosa frase, "Não se nasce mulher, torna-se mulher", distingue o sexo biológico do gênero, que é uma construção social e cultural. A identidade feminina, para Beauvoir, é um produto de normas, expectativas e papéis impostos pela sociedade. A mulher é o "Outro" em uma sociedade patriarcal que define o homem como o padrão universal. Essa análise é um pilar do feminismo existencialista.
Essa opressão cultural e social foi explorada também pelo sociólogo Clóvis Moura (1925-2003) ao analisar a colonização das Américas. Ele ressaltou que a inserção de africanos no processo colonial não foi um simples movimento migratório, mas uma imposição violenta de um sistema escravista. Para Moura, esse processo não apenas explorou a força de trabalho, mas foi um "mutilador cultural", que buscou erradicar as tradições e impor uma hierarquia racial que se mantinha através de violência, como a tortura e a catequese. A experiência dos escravizados revela uma forma brutal de construção social baseada na subjugação.
Cultura, Consumo e o Poder da Mídia
No século XX, os pensadores da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer, Marcuse) levantaram uma crítica contundente sobre o papel da cultura nas sociedades industriais. Eles argumentaram que a cultura, antes vista como um espaço de autonomia e crítica, foi transformada em uma indústria cultural, um sistema de produção em massa de bens culturais padronizados. Filmes, músicas e programas de TV se tornaram produtos de consumo, vendidos de forma a suprimir a reflexão e a criatividade. A crítica de Theodor Adorno era que a indústria cultural vende "a mesma coisa para todo mundo", eliminando o novo e o diferente, e tornando as massas passivas e manipuláveis, com um potencial perigoso para a ascensão de regimes totalitários.
Essa lógica é confirmada, de outra forma, pelo sociólogo francês Gilles Lipovetsky, que analisou a ética na sociedade do hiperconsumo. Ele argumenta que a rigidez das morais tradicionais deu lugar a uma "ética leve", na qual a responsabilidade social das empresas, por exemplo, é menos um compromisso moral e mais um instrumento de marketing e de gestão de imagem. A ética se torna um fator de diferenciação no mercado, uma forma de seduzir o consumidor e gerar lucro.
Poder : A Democracia - Consenso, Dissenso, Política - e o Império
O conceito de democracia também foi reinterpretado por diferentes pensadores. A filósofa Marilena Chaui defende que a democracia não se resume a eleições, mas se fundamenta em uma cultura da cidadania, onde o acesso à cultura é visto como um direito universal. A democratização da cultura, para ela, é um processo de emancipação.
Em contrapartida, o filósofo Jürgen Habermas propõe a Teoria da Ação Comunicativa. Para ele, a verdadeira democracia se manifesta na esfera pública, onde a razão é usada não para dominar, mas para dialogar e alcançar um consenso racional livre de coerção. A validade das normas sociais e políticas é testada e confirmada por meio de um processo de argumentação e justificação mútua.
Em uma visão complementar, Jacques Rancière (nascido em 1940) oferece uma crítica à visão hegemônica da política. Ele distingue a "polícia" da "política". A "polícia" é a ordem que define o que é visível, audível e pensável, criando uma "partilha do sensível" que distribui papéis e lugares sociais. Essa ordem busca o consenso ao silenciar as vozes que não têm "lugar". A "política", por outro lado, surge como um evento de dissenso. Ela ocorre quando aqueles que são "sem-parte" do sistema (os invisíveis) exigem ser ouvidos e reconhecidos, desestabilizando a ordem policial. Para Rancière, a política democrática não é a busca por um consenso utópico, mas o próprio conflito que se dá na reivindicação da igualdade.
A globalização também gerou uma nova estrutura de poder. O filósofo Antonio Negri, junto com Michael Hardt, descreve o Império como uma nova forma de soberania global, que não se limita a Estados-nação, mas opera em redes descentralizadas. O poder do Império é biopolítico, pois controla e gerencia a própria vida das populações. Como forma de resistência a esse poder, Negri propõe a Multidão. Diferente de conceitos tradicionais como "povo" ou "classe operária", a Multidão é uma pluralidade de singularidades que age de forma cooperativa e auto-organizada. Sua força não reside na unificação, mas na sua capacidade de criar e inovar, produzindo "o comum" em oposição ao controle imperial.
Ética e Meio Ambiente: Novas Fronteiras da Responsabilidade
O avanço da tecnologia e o impacto humano no planeta exigem novas reflexões éticas. Hans Jonas (1903-1993) propôs uma ética da responsabilidade, que se diferencia das éticas tradicionais por focar não apenas nas relações entre os seres humanos, mas também na nossa responsabilidade para com as gerações futuras e a biosfera. O seu imperativo categórico é: "Aja de tal modo que os efeitos de sua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida genuinamente humana sobre a Terra."
Essa ética se relaciona com a de Michel Serres (1930-2019), que argumentou que a humanidade, que até então celebrou um "contrato social" entre si, precisa agora estabelecer um "contrato natural" com a Terra. Serres via a humanidade como um "parasita" que consome os recursos do planeta sem respeitá-lo. A ética ambiental, nesse sentido, exige uma relação de simbiose onde a Terra e seus ecossistemas sejam reconhecidos como sujeitos de direitos, e não apenas como um objeto para a exploração.
Por fim, a ética de Peter Singer (nascido em 1946) estendeu a moralidade para além da espécie humana. Ele defendeu o combate ao especismo — a discriminação baseada na espécie. Para Singer, o critério moral relevante não é a razão ou a consciência, mas a senciência, a capacidade de sentir dor e prazer. Se um animal é senciente, seus interesses morais devem ser levados em conta. Essa visão questiona práticas como a pecuária industrial e a vivissecção, e nos convida a repensar nossa relação com o reino animal.
II. Glossário Filosófico
Ação Comunicativa: Conceito de Jürgen Habermas que descreve a interação social baseada no diálogo e no entendimento mútuo, com o objetivo de alcançar um consenso racional. É a base de uma democracia legítima e livre de coerções.
Alteridade: Noção central na filosofia de Emmanuel Lévinas. Refere-se à condição do Outro em sua radical diferença e singularidade, que não pode ser totalmente compreendida ou dominada pelo "Eu". É a fonte da ética e da responsabilidade.
Areté (Virtude): Termo grego que, na filosofia de Aristóteles, significa excelência ou virtude moral. É uma disposição de caráter adquirida pelo hábito e pela prática, que nos leva a agir de forma a encontrar o "meio-termo" entre extremos.
Biopolítica: Conceito explorado por Antonio Negri (e antes por Michel Foucault) que se refere a uma forma de poder que não apenas controla territórios, mas gerencia e regula a própria vida das populações, incluindo sua saúde, natalidade, e bem-estar.
Dissenso: Termo de Jacques Rancière que descreve a manifestação política de um conflito. Diferente do consenso, o dissenso ocorre quando vozes que estavam silenciadas ou invisibilizadas ("sem-parte") exigem ser ouvidas, desestabilizando a ordem estabelecida.
Dúvida Metódica: Método filosófico de René Descartes que consiste em duvidar de tudo o que pode ser duvidado, a fim de encontrar um conhecimento sólido e indubitável. A única certeza que ele encontra é a do próprio ato de duvidar (do pensar).
Eudaimonia: Termo grego que significa "felicidade", "bem-viver" ou "realização plena". Na ética de Aristóteles, é a finalidade última da vida humana, alcançada por meio da prática da virtude.
Especismo: Conceito de Peter Singer que denuncia a discriminação moral baseada na espécie. É a atribuição de um valor moral inferior aos seres não humanos simplesmente por pertencerem a uma espécie diferente.
Gênero: Na teoria de Simone de Beauvoir, refere-se à construção social e cultural dos papéis, comportamentos e identidades associadas ao feminino e ao masculino. É distinto do sexo, que se refere às características biológicas.
Indústria Cultural: Expressão cunhada pelos filósofos da Escola de Frankfurt para criticar a produção em massa da cultura. Eles a viam como um sistema que transforma a arte em uma mercadoria, padronizando o consumo e alienando as massas.
Imperativo Categórico: Conceito central na ética de Immanuel Kant. É uma lei moral universal e incondicional que nos orienta a agir por dever, e não por interesse ou inclinação pessoal.
Meio-Termo: Na ética aristotélica, é o ponto de equilíbrio e moderação entre o excesso e a falta. A virtude, para Aristóteles, reside nesse meio. Por exemplo, a coragem é o meio-termo entre a temeridade e a covardia.
Multidão: Conceito de Antonio Negri e Michael Hardt que se refere a um sujeito político plural e descentralizado. É uma pluralidade de singularidades que resiste ao poder global ("Império") por meio da cooperação e da produção do "comum".
Partilha do Sensível: Conceito de Jacques Rancière que descreve a forma como a sociedade distribui e organiza o que pode ser visto, ouvido e dito. É a ordem que estabelece os papéis e lugares de cada um na sociedade. A política surge quando essa ordem é contestada.
Práxis: Termo de Karl Marx que significa a atividade prática humana que transforma a realidade. É a união entre teoria e prática, sendo a base da construção da história e da identidade humana.
Senciência: A capacidade de um ser vivo de sentir sensações, prazer e sofrimento. Para o filósofo Peter Singer, a senciência é o critério moral fundamental para determinar se um ser tem interesses que devem ser considerados.
III. Pensadores e Teóricos
Adorno, Theodor (1903-1969): Filósofo e sociólogo alemão da Escola de Frankfurt. Crítico da indústria cultural e da sociedade de consumo, ele defendeu a autonomia da arte e a necessidade do pensamento crítico.
Aristóteles (384-322 a.C.): Filósofo grego e um dos pilares da filosofia ocidental. Seus estudos abrangem lógica, política, biologia e, principalmente, a ética da virtude, que busca a felicidade (eudaimonia) por meio do bom caráter.
Beauvoir, Simone de (1908-1986): Filósofa francesa, escritora e feminista existencialista. Sua obra mais famosa, O Segundo Sexo, questiona as noções biológicas de identidade feminina, defendendo que o gênero é uma construção social.
Chaui, Marilena (nascida em 1941): Filósofa brasileira, professora universitária e ativista. Suas obras abordam a história da filosofia e a realidade brasileira, com ênfase em temas como cultura, democracia e cidadania.
Descartes, René (1596-1650): Filósofo, matemático e físico francês. Considerado o "pai da filosofia moderna" por seu método da dúvida e pela afirmação do "eu pensante" (Cogito, ergo sum) como a única certeza.
Habermas, Jürgen (nascido em 1929): Filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt. Conhecido por sua Teoria da Ação Comunicativa, que propõe o diálogo racional como a base da legitimidade e da democracia.
Jonas, Hans (1903-1993): Filósofo alemão que se dedicou à ética e à filosofia da biologia. Em sua obra O Princípio Responsabilidade, ele propõe uma nova ética para a era tecnológica, focando na responsabilidade com as gerações futuras e a natureza.
Kant, Immanuel (1724-1804): Filósofo alemão considerado um dos mais influentes pensadores da história. Sua filosofia moral é baseada na ética do dever e no imperativo categórico, que defende a autonomia da razão e a universalidade da lei moral.
Lévinas, Emmanuel (1906-1995): Filósofo lituano que se tornou um dos maiores pensadores do século XX. Sua filosofia é centrada na alteridade e na primazia da ética sobre a ontologia, destacando a responsabilidade incondicional pelo "rosto" do outro.
Lipovetsky, Gilles (nascido em 1944): Sociólogo e filósofo francês que estuda a sociedade contemporânea. Suas análises focam no hiperconsumo, no individualismo e em uma ética leve, que prioriza a imagem e a reputação em vez de valores morais rígidos.
Marx, Karl (1818-1883): Filósofo, economista e sociólogo alemão, conhecido como o principal teórico do socialismo e do comunismo. Sua filosofia materialista histórica analisa a sociedade a partir da luta de classes e da práxis humana.
Moura, Clóvis (1925-2003): Sociólogo, escritor e ativista brasileiro. Suas obras são fundamentais para o estudo das relações raciais no Brasil, especialmente por sua análise da escravidão e da construção de uma hierarquia racial no país.
Negri, Antonio (nascido em 1933): Filósofo e teórico político italiano. Em coautoria com Michael Hardt, desenvolveu o conceito de Império como uma nova forma de poder global, e a Multidão como um agente de resistência.
Rancière, Jacques (nascido em 1940): Filósofo francês contemporâneo. Suas reflexões sobre a estética e a política distinguem a "polícia" (a ordem do consenso) da "política" (o evento do dissenso), através da partilha do sensível.
Serres, Michel (1930-2019): Filósofo e historiador da ciência francês. Conhecido por sua abordagem interdisciplinar, ele propôs a celebração de um "contrato natural" entre a humanidade e a Terra como uma forma de ética ambiental.
Singer, Peter (nascido em 1946): Filósofo e bioeticista australiano. É um dos fundadores do movimento de libertação animal, defendendo o combate ao especismo e a expansão da ética para todos os seres sencientes.
Questão 1 O conceito de "eudaimonia" em Aristóteles e a visão de felicidade em outras correntes filosóficas revelam diferentes caminhos para o bem viver. Enquanto para o filósofo grego a felicidade é uma atividade virtuosa da alma, alcançada pela prática do bem, a ética utilitarista a define como a maximização do prazer e a minimização da dor.
A principal diferença entre a ética aristotélica e a utilitarista reside no fato de que a primeira:
a) Prioriza a intenção da ação sobre suas consequências.
b) Foca no desenvolvimento do caráter, e não no resultado final.
c) Define o bem com base em um cálculo racional de prazer e dor.
d) Considera a felicidade como um estado de espírito temporário.
e) Desconsidera a razão como guia para o agir moral.
Questão 2 O "imperativo categórico" de Kant é uma das formulações mais conhecidas da ética moderna. Ao exigir que a máxima de nossa ação possa se tornar uma lei universal, Kant estabelece um critério de validade moral que se opõe diretamente às éticas que se baseiam em inclinações ou nos resultados.
A partir dessa perspectiva, a ética kantiana se distingue da ética de Aristóteles por:
a) Considerar a felicidade como o bem supremo da ação humana.
b) Valorizar as consequências da ação para a determinação de sua moralidade.
c) Focar na intenção e na racionalidade da ação, em vez do desenvolvimento do caráter.
d) Defender que a virtude é um hábito que se adquire pela repetição de boas ações.
e) Permitir que as ações sejam guiadas por sentimentos e desejos pessoais.
Questão 3 A máxima "Penso, logo existo" de Descartes inaugura uma nova forma de pensar o sujeito, estabelecendo a razão como o alicerce da existência. No entanto, o materialismo histórico de Marx apresenta uma visão de ser humano que se constrói na interação com o mundo material.
A oposição entre as filosofias de Descartes e Marx pode ser compreendida pela diferença entre:
a) A valorização da ação individual e a crítica ao capitalismo.
b) O fundamento da existência no pensamento e a formação do ser pela atividade prática.
c) A defesa do conhecimento científico e a crítica à religião.
d) A busca por uma verdade universal e o relativismo cultural.
e) A negação da existência de Deus e a crença na razão divina.
Questão 4 A frase de Simone de Beauvoir, "Não se nasce mulher, torna-se mulher", é um marco na teoria de gênero. Essa ideia se opõe a uma visão essencialista, que defende a existência de uma natureza fixa, e se aproxima de um entendimento de identidade como construção social, um tema também explorado por Clóvis Moura em sua análise da racialização no Brasil.
A correlação entre as ideias de Beauvoir e Moura é a de que ambos:
a) Negam o determinismo biológico para a formação da identidade.
b) Defendem a existência de uma essência feminina e africana.
c) Criticam apenas as instituições políticas e econômicas.
d) Limitavam suas análises ao campo da filosofia clássica.
e) Acreditam que o gênero e a raça são dados naturais e imutáveis.
Questão 5 A Indústria Cultural, segundo Adorno e Horkheimer, padroniza e massifica a cultura, transformando a arte em um produto de consumo. Essa crítica se aproxima da análise de Lipovetsky sobre a "ética leve", que também revela como os valores se tornaram uma mercadoria em um mundo de hiperconsumo.
Ambos os pensadores concordam que o avanço da sociedade de consumo resultou em:
a) Uma maior democratização da cultura e dos valores morais.
b) Uma arte genuína e capaz de gerar pensamento crítico.
c) Uma manipulação das massas por meio da moralidade e da cultura.
d) Uma substituição das regras de mercado por valores éticos.
e) Um retorno aos códigos morais rígidos do passado.
Questão 6 Para Marilena Chaui, a democratização da cultura está ligada ao exercício da cidadania e à garantia de direitos, o que pressupõe uma participação ativa da população. Essa ideia se conecta à de Jürgen Habermas, para quem a democracia se legitima através da ação comunicativa na esfera pública.
O ponto comum entre os pensadores é a crença de que a democracia se fortalece por meio:
a) Da imposição de normas pelo Estado.
b) Da busca por um consenso utópico.
c) Do diálogo e da participação dos cidadãos.
d) De um sistema de governo autoritário.
e) Da liberdade total, sem normas ou leis.
Questão 7 Jacques Rancière distingue a "polícia" da "política", opondo a ordem do consenso à prática do dissenso. Para ele, a verdadeira política surge quando a "partilha do sensível" é contestada, e aqueles que não têm lugar no sistema reivindicam sua igualdade.
Nessa perspectiva, a política é compreendida como:
a) A busca por um consenso total entre as partes.
b) Um processo de gestão e manutenção da ordem social.
c) Um evento de conflito que desestabiliza a ordem estabelecida.
d) Uma atividade que visa a dominação de uma classe sobre as outras.
e) A submissão à autoridade de um líder político.
Questão 8 O conceito de "contrato natural" de Michel Serres e a "ética da responsabilidade" de Hans Jonas representam uma nova abordagem para os desafios do mundo contemporâneo. Ambos os filósofos se opõem às éticas tradicionais, que consideravam apenas as relações humanas, e ampliam o campo da moralidade.
Uma característica comum a essas duas filosofias é a:
a) Negação da tecnologia como motor de transformação social.
b) Crença de que a natureza não tem valor moral em si mesma.
c) Convicção de que a ética deve focar nas consequências futuras da ação humana.
d) Defesa de um antropocentrismo radical, onde o homem é o centro de tudo.
e) Crítica ao conceito de desenvolvimento sustentável.
Questão 9 O filósofo Emmanuel Lévinas defende que a ética não é uma escolha racional, mas uma responsabilidade incondicional que surge no encontro com o "rosto" do outro. Para ele, o outro não é apenas um objeto de conhecimento, mas a manifestação de uma vulnerabilidade que nos interpela.
A ética levinasiana é incompatível com:
a) A valorização da alteridade e da singularidade humana.
b) A noção de que o "Eu" é superior e tem o direito de dominar o outro.
c) A ideia de que a política deve ser guiada pelo princípio ético.
d) O reconhecimento da vulnerabilidade como a base da responsabilidade.
e) A rejeição de sistemas totalizantes que buscam categorizar o outro.
Questão 10 A Teoria da Ação Comunicativa de Habermas e a filosofia política de Rancière divergem em suas abordagens sobre a democracia. Enquanto Habermas busca o consenso através do diálogo, Rancière enfatiza o dissenso como o verdadeiro motor da política.
Apesar das diferenças, ambos os pensadores defendem a ideia de que:
a) A democracia é um sistema de governo perfeito e sem conflitos.
b) A participação popular e a liberdade de expressão são essenciais.
c) O poder político deve ser exercido por uma elite racional.
d) O consenso é sempre a finalidade última da política.
e) A ordem social e política é o resultado de uma imposição de cima para baixo.
Questão 11 A crítica de Peter Singer ao especismo se baseia no princípio da senciência, ou seja, na capacidade de um ser vivo sentir dor e prazer. Para ele, a dor de um animal tem a mesma relevância moral que a dor de um ser humano.
Essa visão se aproxima da ética de Hans Jonas e Michel Serres, pois:
a) Reduz o valor da vida humana para o mesmo nível da vida animal.
b) Propõe uma moralidade que se estende para além da espécie humana.
c) Defende que a natureza é um recurso ilimitado para a humanidade.
d) Baseia a ética na capacidade racional e na consciência individual.
e) Justifica o uso de animais em testes de laboratório para o bem humano.
Questão 12 O conceito de "Império" de Negri e Hardt descreve uma nova forma de poder descentralizado e global, que controla fluxos e gerencia a vida das populações. A "Multidão" surge como a contraparte desse poder, um agente de resistência que se organiza em rede e de forma plural.
Uma característica da "Multidão" que a diferencia de um movimento político tradicional é a:
a) Busca por um líder único para organizar a luta.
b) Homogeneidade de seus membros e suas identidades.
c) Resistência baseada na cooperação e na auto-organização.
d) Representação exclusiva do proletariado industrial.
e) Limitação de suas ações à esfera nacional.
Questão 13 A "ética leve" de Gilles Lipovetsky e a crítica da "Indústria Cultural" de Adorno compartilham a preocupação com o papel da cultura e dos valores na sociedade de consumo. Ambos os conceitos denunciam a forma como a moralidade e a arte se tornaram instrumentos de controle e lucro.
Uma conclusão que pode ser tirada da análise de ambos os pensadores é que a cultura contemporânea:
a) Retomou a sua função original de crítica social.
b) Se tornou um meio de manipulação das massas.
c) Se libertou das regras de mercado e do consumismo.
d) Se tornou um espaço de autenticidade e liberdade.
e) Promoveu o pensamento crítico em larga escala.
Questão 14 Na visão de Clóvis Moura, o processo de colonização e escravização de africanos no Brasil foi mais do que uma exploração econômica. Foi um processo de imposição de padrões culturais e de uma hierarquia racial.
A partir desse ponto de vista, é incorreto afirmar que a escravidão foi:
a) Uma forma de dominação que se estendeu à cultura e à identidade.
b) Um evento histórico que criou uma hierarquia social e racial.
c) Um processo de "mutilação cultural" das populações africanas.
d) Um simples deslocamento geográfico de mão de obra.
e) Uma imposição que se manteve pela violência e pela coerção.
Questão 15 A filosofia de Jacques Rancière sobre a "partilha do sensível" e a distinção entre "polícia" e "política" oferece uma nova interpretação para a democracia. Para ele, a verdadeira política é o evento em que o dissenso é revelado.
Essa visão se assemelha ao conceito de "multidão" de Negri e Hardt, pois ambas as filosofias:
a) Defendem a necessidade de um partido político para liderar a luta.
b) Rejeitam a auto-organização e a pluralidade como formas de resistência.
c) Apresentam a resistência como um processo de consenso e unidade.
d) Vão além das estruturas tradicionais de poder e oposição.
e) Limitavam a ação política à esfera da representação formal.
Ótimo material! Foi essencial para minha prova 😁
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