FILOSOFIA - 2o ANO - REVISÃO SIS

 


I. REPENSANDO O EDITAL


1. Filosofia Contemporânea, Tecnologia e Ética

2. Filosofia Política, Cidadania e Fronteiras

  • 2.1. Poder e Estruturas Políticas:

    • Filosofia Política: Relações entre sociedade, informação e poder.

    • Liberdade e igualdade política.

    • Totalitarismo e Democracia.

    • Esfera pública e privada.

  • 2.2. Questões de Fronteira e Cidadania:

    • Natureza e cultura.

    • Civilização e barbárie.

    • Tempo e memória (enquanto categorias filosóficas e sociais).

    • Cidadania formal e/ou participativa.

    • Os refugiados: Acolhida dos sem pátria.

    • Direito do cidadão ao respeito e à diversidade de pensamento e crença.

  • 2.3. Valores Humanos:

3. Diversidade, Preconceito e Violência

  • 3.1. Questões de Identidade e Cultura:

  • 3.2. Preconceito e Discriminação:

    • Preconceito, discriminação, diversidade e minorias.

    • Diferentes tipos de preconceitos e discriminações no Brasil (físico, sexual, etnicorracial e religiosa).

    • Racismo, desigualdade e poder no Brasil.

    • Violência por motivação religiosa, preconceito, discriminação e racismo religioso.

  • 3.3. Tipos de Violência:

    • Física, psicológica, simbólica, sexual, étnico-racial, material.


4. Filosofia, Culturas e Saberes Panamazônicos e Afrobrasileiros

  • 4.1. Cosmologias e Manifestações Culturais:

    • Cosmologias Antiga, Medieval, Moderna (em contraponto, mas com foco em povos Panamazônicos e Afrobrasileiros).

    • Filosofia da arte: reflexões sobre as manifestações artísticas dos diversos povos amazônicos.

    • Encontro, diálogo e interação em diferentes idiomas e culturas (com foco regional).

    • Diversidade étnico-cultural no Brasil e no Amazonas.

  • 4.2. O Saber Negro e Contribuição para a Amazônia:

  • 4.3. O Saber Indígena e Visão de Mundo:

  • 4.4. Juventudes e Engajamento:

    • As diferentes juventudes no Brasil e no Amazonas.

    • Ação de engajamento político das diferentes juventudes.


II. TEXTO-RESUMO

1. Filosofia Contemporânea, Tecnologia e Ética

Este bloco mergulha nas crises e transformações trazidas pelo século XXI, onde a tecnologia redefine o humano e seu ambiente.

1.1. Ética Aplicada e Meio Ambiente:

  • Bioética (Relação entre tecnologia, vida e homem): Aborda os dilemas morais decorrentes dos avanços biotecnológicos (como engenharia genética, clonagem e inteligência artificial na saúde). O foco contemporâneo reside na ética da melhoria humana (human enhancement) e na governança de tecnologias disruptivas.

  • Ética e meio ambiente: Examina a responsabilidade humana frente à crise climática e a perda de biodiversidade. Inclui a discussão sobre a justiça climática e o reconhecimento do valor intrínseco da natureza (ecocentrismo), criticando a visão puramente instrumentalista.

  • Categorias de tempo, espaço, extensão e causalidade (em vários autores da história da Filosofia em tempo de globalização): Revisa como filósofos (de Kant a Bergson e além) conceberam essas categorias e como a velocidade da comunicação e a compressão do espaço-tempo na globalização (internet, viagens aéreas) desafiam esses conceitos clássicos.

1.2. Sociedade da Informação e Mídia:

  • As Tecnologias e o homem: Reflete sobre a constituição do sujeito tecnológico e as novas formas de sociabilidade e trabalho. Questões sobre alienação digital, vigilância e a fusão entre o físico e o virtual (metaverso).

  • A indústria cultural: Atualiza o conceito frankfurtiano (Adorno e Horkheimer) para a era das plataformas digitais. Analisa a padronização e o consumo massivo de conteúdos (o stream como forma de controle) e o impacto na autonomia crítica individual.

  • Sociedade da informação: Estuda a centralidade da informação e do conhecimento na economia e na política. Discute a exclusão digital e o abismo entre quem produz e quem apenas consome dados.

  • Linguagem e ética nas redes sociais: Aborda o fenômeno da polarização, as fake news, os discursos de ódio e o anonimato. Examina a necessidade de uma nova etiqueta digital e o papel das plataformas na moderação de conteúdo.

  • As novas estéticas: Analisa o impacto da tecnologia e da inteligência artificial (IA) na produção e recepção artística. Reflete sobre a autoria, a reprodutibilidade e a experiência estética em ambientes imersivos e digitais.


2. Filosofia Política, Cidadania e Fronteiras

Este bloco trata da organização do convívio social e das tensões que moldam a cidadania moderna.

2.1. Poder e Estruturas Políticas:

  • Filosofia Política: Relações entre sociedade, informação e poder: Examina como o controle sobre dados e narrativas se traduz em formas de poder algorítmico e de vigilância em massa, atualizando o conceito foucaultiano para o capitalismo de plataforma.

  • Liberdade e igualdade política: Discute as formas de acesso ao poder e os limites da participação democrática. Inclui a discussão sobre igualdade de oportunidades versus igualdade de resultados (equidade).

  • Totalitarismo e Democracia: Revisa os fundamentos da democracia liberal e seus desafios contemporâneos, como o avanço de populismos autoritários e a erosão das instituições.

  • Esfera pública e privada: Analisa a redefinição dessas fronteiras com a exposição massiva nas redes sociais e a coleta de dados privados por corporações e governos.

2.2. Questões de Fronteira e Cidadania:

  • Natureza e cultura, Civilização e barbárie: Reflexão sobre a dicotomia na Filosofia Ocidental e sua crítica. O contemporâneo busca superar essa separação, reconhecendo a interdependência e a influência mútua.

  • Tempo e memória (enquanto categorias filosóficas e sociais): Estudo da construção da memória social e da importância do passado para a identidade política (em pauta com comissões da verdade e justiça de transição).

  • Cidadania formal e/ou participativa: Contrapõe a cidadania definida pelo direito legal (voto, documentos) àquela exercida por meio de movimentos sociais, ativismo digital e engajamento cívico contínuo.

  • Os refugiados: Acolhida dos sem pátria: Aborda a crise humanitária global sob a ótica da ética da hospitalidade (Derrida) e do direito internacional, questionando a noção de soberania nacional em face da migração forçada.

  • Direito do cidadão ao respeito e à diversidade de pensamento e crença: Fundamento do pluralismo democrático, essencial para garantir a liberdade de expressão e a tolerância religiosa e ideológica.

2.3. Valores Humanos:

  • Liberdade, solidariedade, igualdade, equidade e singularidade: Ênfase na equidade (tratar desiguais de forma desigual para alcançar a igualdade) e na singularidade (o valor irredutível do indivíduo) como pilares para uma sociedade justa.


3. Diversidade, Preconceito e Violência

Este bloco centraliza a discussão sobre as questões de identidade e justiça social.

3.1. Questões de Identidade e Cultura:

  • As múltiplas culturas e os pensadores, Alteridade, multiculturalismo e relativismo cultural: Estudo do encontro com o Outro (Alteridade) e dos modelos de coexistência (multiculturalismo, interculturalidade), criticando a postura do relativismo cultural extremo que impede o julgamento ético de práticas.

  • Gênero e sexualidade, raça e etnia: Análise de como esses marcadores sociais constituem identidades, distribuem poder e geram opressões. Introduz conceitos da Filosofia Queer e da Teoria Crítica da Raça.

  • Diversidade étnico-cultural no Brasil: Foco na complexidade da formação brasileira, marcada pela tríade indígena, africana e europeia, e suas tensões atuais.

3.2. Preconceito e Discriminação:

  • Preconceito, discriminação, diversidade e minorias: Diferencia o preconceito (juízo prévio) da discriminação (ação de exclusão), analisando os desafios das minorias políticas, sociais e demográficas.

  • Diferentes tipos de preconceitos e discriminações no Brasil (físico, sexual, etnicorracial e religiosa): Detalhamento das formas de opressão no contexto nacional.

  • Racismo, desigualdade e poder no Brasil: Estudo do racismo estrutural (Almeida, G. S.) que está entranhado nas instituições e nas relações de poder, perpetuando a desigualdade social.

  • Violência por motivação religiosa, preconceito, discriminação e racismo religioso: Aborda a intolerância e o ódio dirigidos a comunidades de matriz africana, indígenas e outras minorias religiosas, exigindo a proteção do direito à crença.

3.3. Tipos de Violência:

  • Física, psicológica, simbólica, sexual, étnico-racial, material: Classificação das formas de violência, destacando a violência simbólica (Bourdieu) como aquela que se manifesta sutilmente, por meio de estruturas de poder, legitimando a dominação.


4. Filosofia, Culturas e Saberes Panamazônicos e Afrobrasileiros

Este bloco é dedicado à Filosofia do Encontro, valorizando as epistemologias e cosmologias que desafiam a hegemonia do pensamento ocidental.

4.1. Cosmologias e Manifestações Culturais:

  • Cosmologias Antiga, Medieval, Moderna dos povos Panamazônicos e Afrobrasileiros: Contraponto entre as visões de mundo (Cosmologias) desses povos (que frequentemente veem o cosmos como um organismo vivo e interconectado) e as cosmologias ocidentais.

  • Filosofia da arte: reflexões sobre as manifestações artísticas dos diversos povos amazônicos: Análise da arte como expressão de conhecimento e cosmovisão (artesania, rituais, grafismos), e não apenas como estética pura.

  • Encontro, diálogo e interação em diferentes idiomas e culturas e Diversidade étnico-cultural no Brasil e no Amazonas: Ênfase na importância da interculturalidade na Amazônia, uma região marcada pela coexistência de múltiplas línguas e etnias.

4.2. O Saber Negro e Contribuição para a Amazônia:

  • O saber negro e sua contribuição para a cultura amazônica: Estudo das filosofias africanas e afro-diaspóricas (oralidade, circularidade, ancestralidade) e sua profunda influência na construção da cultura, religião e identidade amazônica. A corporeidade e a musicalidade são vistas como formas de preservação da memória e do saber.

4.3. O Saber Indígena e Visão de Mundo:

  • O saber indígena: Centraliza a unidade com a natureza (o perspectivismo ameríndio), a valorização do ancião (memória e sabedoria) e o princípio de cooperação e partilha como modelos éticos e políticos alternativos ao individualismo capitalista. A unidade entre crença, vida e conhecimento reforça a inseparabilidade entre epistemologia e ontologia.

4.4. Juventudes e Engajamento:

  • As diferentes juventudes no Brasil e no Amazonas e Ação de engajamento político das diferentes juventudes: Estudo da juventude não como uma categoria monolítica, mas como grupos diversos (urbana, ribeirinha, indígena, periférica) que atuam como agentes de mudança social, utilizando ativismo digital e mobilizações locais para exigir direitos e influenciar a política.


III. GLOSSÁRIO

Ação de Engajamento Político - Envolvimento ativo das juventudes ou de grupos sociais em movimentos, protestos, organizações cívicas e canais digitais para influenciar decisões e exigir direitos, indo além da cidadania formal.

Alteridade - O reconhecimento e respeito pelo Outro em sua diferença radical. É o fundamento filosófico para o diálogo e o combate à intolerância, essencial no contexto do multiculturalismo.
AncestralidadePrincípio ético, espiritual e epistemológico nas culturas indígenas e afro-diaspóricas (Saber Negro). Os ancestrais são fontes de conhecimento, memória e autoridade moral, ligando o passado ao presente.

As Novas Estéticas - Reflexão sobre as manifestações artísticas contemporâneas, especialmente aquelas mediadas pela tecnologia digital, realidade virtual e Inteligência Artificial (IA), questionando autoria e experiência sensorial.

Bioética - Ramo da ética aplicada que estuda as questões morais, sociais e jurídicas decorrentes das pesquisas e intervenções em biotecnologia e medicina, como a engenharia genética e a clonagem.
Cidadania Participativa - Modelo de ação política que transcende o voto (cidadania formal), envolvendo o engajamento direto dos cidadãos em decisões, movimentos sociais e conselhos de políticas públicas.

Cosmologia - A concepção filosófica ou mitológica da ordem e estrutura do universo. No contexto amazônico, refere-se às visões de mundo (frequentemente orgânicas e interconectadas) dos povos indígenas e afrobrasileiros.

Discriminação - A ação de exclusão, segregação ou tratamento desigual e injusto de um indivíduo ou grupo social (seja por motivação sexual, etnicorracial, religiosa, etc.), decorrente de um preconceito.

Equidade - O princípio ético de dar a cada um o que lhe é devido, tratando desiguais de forma desigual para corrigir desvantagens e alcançar a igualdade real (justiça distributiva).

Esfera Pública e Privada - Distinções fundamentais na Filosofia Política. A Pública é o domínio do Estado e do debate cívico; a Privada é o domínio da vida familiar e íntima, ambas redefinidas pelas redes sociais.

Ética e Meio Ambiente - Análise da responsabilidade moral humana em relação à natureza, incluindo a crítica ao antropocentrismo e a busca por princípios de justiça climática e sustentabilidade.

Hospitalidade Ética(Conceito chave em Derrida) - A disposição de acolher incondicionalmente o refugiado (o "sem pátria") e o estrangeiro, questionando o limite das leis nacionais frente ao direito humano universal.

Indústria Cultural(Escola de Frankfurt) - Crítica à produção em massa de bens culturais (música, filmes, notícias) por corporações, visando a padronização, o consumo e o controle ideológico.

Justiça Climática - Princípio que reconhece a injustiça na distribuição dos impactos das mudanças climáticas, que afetam desproporcionalmente populações pobres, minorias e países do Sul Global.

Linguagem e Ética nas Redes Sociais -  Reflexão sobre os desafios morais da comunicação digital, incluindo fake news, discurso de ódio, polarização e a necessidade de responsabilidade na interação online.

Multiculturalismo - A coexistência de diversas culturas dentro de um mesmo espaço político. O desafio é criar modelos de coexistência que valorizem a diversidade sem dissolver a coesão social.
Oralidade - Forma primária de transmissão de saber, história e valores, central nas culturas que não priorizam a escrita (como o Saber Negro e o Saber Indígena).

Racismo Estrutural - Forma de racismo que está embutida nas estruturas, normas e relações sociais de uma sociedade (e não apenas em atos individuais), perpetuando a desigualdade e a concentração de poder.

Relativismo Cultural - Tese de que as normas, valores e práticas de uma cultura só podem ser julgados ou entendidos dentro do contexto dessa própria cultura, dificultando o julgamento ético universal.

Saber Indígena - Conjunto de conhecimentos e filosofias baseados na unidade com a natureza, na valorização do ancião, na cooperação e partilha, e na inseparabilidade entre crença, vida e conhecimento.

Sociedade da Informação - Estrutura social contemporânea onde o processamento, armazenamento e o acesso à informação e ao conhecimento são os principais motores da economia e da organização social.

Tecnologias e o Homem - Reflexão sobre a constituição do sujeito tecnológico (híbrido entre biológico e artificial) e as transformações na vida, trabalho e sociabilidade trazidas pela tecnociência.

Totalitarismo - Forma de governo na qual o Estado busca o controle total sobre todos os aspectos da vida pública e privada, frequentemente utilizando uma ideologia oficial e métodos repressivos.

Violência Simbólica(Bourdieu) Forma sutil e invisível de violência que atua por meio do convencimento e da naturalização da dominação. Resulta na aceitação acrítica de estruturas e categorias que inferiorizam grupos.

VAMOS PRATICAR


Questão 1: O conceito de Bioética surge da necessidade de reflexão filosófica sobre a vida em um contexto de rápido avanço tecnocientífico. Qual das alternativas melhor descreve o foco contemporâneo da Bioética?

a) O estudo das cosmologias antigas e sua relação com a medicina tradicional. 

b) A análise da natureza do tempo e do espaço na experiência de doenças. 

c) Os dilemas morais decorrentes da engenharia genética, clonagem e o uso de Inteligência Artificial na saúde e na melhoria humana (human enhancement). 

d) A crítica à Indústria Cultural e a padronização das mídias digitais. 

e) A distinção entre cidadania formal e participação política.


Questão 2: A Indústria Cultural, conceito originalmente desenvolvido por Adorno e Horkheimer, é atualizada na Sociedade da Informação. Hoje, esse conceito critica principalmente:

a) A liberdade de expressão total e irrestrita nas redes sociais. 

b) A valorização da arte erudita e o desprezo pela cultura popular. 

c) A produção massiva e padronizada de conteúdos por plataformas digitais (streaming), visando o controle do consumo e a anulação da autonomia crítica. 

d) A divisão clara entre esfera pública e privada promovida pela internet. 

e) O princípio da equidade como motor de justiça social.


Questão 3: A globalização e o desenvolvimento tecnológico impuseram desafios às categorias clássicas da Filosofia. A respeito do tempo e do espaço na era digital, é correto afirmar:

a) O tempo e o espaço voltaram às definições aristotélicas de absoluto e imutável. 

b) O uso de redes sociais e a comunicação instantânea promoveram uma compressão do espaço-tempo, alterando a percepção e o alcance das relações sociais. 

c) A causalidade se tornou uma categoria irrelevante para a ética na rede. 

d) A cidadania formal é a única ferramenta eficaz para lidar com a vigilância tecnológica. 

e) As novas tecnologias isolaram as questões éticas das ambientais.



Questão 4: A Filosofia Política atualiza o debate sobre poder ao incorporar a Sociedade da Informação. Nesse contexto, as relações entre sociedade, informação e poder são caracterizadas pela:

a) Dissolução total do Estado em favor de corporações de tecnologia. 

b) Transferência do poder para o indivíduo isolado, garantindo a privacidade absoluta. 

c) Centralização do poder através do controle de dados e algoritmos, resultando em novas formas de vigilância e manipulação de narrativas. 

d) Eliminação das formas tradicionais de violência em favor do diálogo digital. 

e) Impossibilidade de qualquer tipo de engajamento político por parte da juventude.


Questão 5: O debate contemporâneo sobre justiça social diferencia os conceitos de Igualdade e Equidade. A equidade é filosófica e politicamente relevante porque:

a) Garante que todas as pessoas recebam exatamente o mesmo recurso, independentemente de sua condição. 

b) Reforça a meritocracia ao punir aqueles que não alcançam os mesmos resultados. 

c) Impede a discussão sobre questões de raça e etnia, focando apenas no aspecto econômico. 

d) Implica tratar os desiguais de forma desigual, corrigindo desvantagens estruturais para que todos tenham condições justas de alcançar a igualdade. 

e) É uma categoria filosófica exclusiva da cosmologia moderna e incompatível com a política.


Questão 6: A crise dos refugiados e a situação dos "sem pátria" levantam questões sobre a soberania dos Estados e a moralidade. O tema é abordado na filosofia a partir da:

a) Crítica à lógica da Indústria Cultural e seu papel na desumanização. 

b) Necessidade de redefinir o conceito de tempo para os que não têm lar. 

c) Discussão da ética da hospitalidade (Derrida) e do direito humano incondicional, confrontando a rigidez das fronteiras nacionais. 

d) Exclusividade da responsabilidade individual sobre a ação política. 

e) Defesa do relativismo cultural como solução para os conflitos internacionais.


Questão 7: Em um contexto de radicalização e polarização, o direito do cidadão ao respeito e à diversidade de pensamento e crença constitui o alicerce filosófico de qual sistema político?

a) Totalitarismo. 

b) Oligarquia. 

c) Democracia Pluralista. 

d) Monarquia Absolutista. 

e) Ditadura do Proletariado.



Questão 8: A Alteridade e o Multiculturalismo são conceitos essenciais para a compreensão da convivência em sociedades complexas. A abordagem multiculturalista propõe:

a) A assimilação completa das culturas minoritárias pela cultura dominante. 

b) A coexistência de diversas culturas em um mesmo espaço, buscando modelos de reconhecimento e valorização da diferença. 

c) A rejeição total do diálogo intercultural em nome do individualismo radical. 

d) O congelamento das categorias de gênero e sexualidade em modelos tradicionais. 

e) O julgamento de todas as culturas por padrões estritamente ocidentais.


Questão 9: O conceito de Racismo Estrutural (Silvio Almeida) é crucial para entender a desigualdade no Brasil porque:

a) Reduz o racismo a meros atos isolados de discriminação individual. 

b) Afirma que o racismo só existe na esfera privada, e não na pública. 

c) Demonstra que o racismo está embutido nas instituições, nas normas e nas relações sociais, perpetuando a concentração de poder e a desigualdade. 

d) Sugere que a solução para a desigualdade depende apenas da tecnologia. 

e) É uma categoria filosófica exclusiva do século XIX, sem validade contemporânea.

Questão 10: A Violência Simbólica, conceito de Pierre Bourdieu, diferencia-se da violência física e material por ser:

a) Exclusivamente praticada por minorias em busca de visibilidade. 

b) Sempre visível e denunciada nos meios de comunicação de massa. 

c) Sutil, exercida pelo convencimento e pela naturalização da dominação, resultando na aceitação acrítica de estruturas de poder. 

d) Uma categoria que só se aplica a discussões sobre ética nas redes sociais. 

e) O resultado direto da falta de acesso à tecnologia.


Questão 11: O Racismo Religioso no Brasil manifesta-se, sobretudo, através de atos de intolerância e violência dirigidos a quais grupos?

a) Católicos e protestantes históricos. 

b) Ateus e agnósticos. 

c) Comunidades de matriz africana (Candomblé, Umbanda) e, em menor escala, grupos indígenas, desrespeitando o direito à crença e ao culto. 

d) Filósofos e pensadores da Indústria Cultural. 

e) Juventudes urbanas com engajamento político.


Questão 12: A discussão sobre Gênero e Sexualidade na Filosofia contemporânea exige:

a) O retorno à dicotomia clássica entre natureza e cultura. 

b) A análise de como esses marcadores sociais atuam na distribuição de poder e na geração de opressões, sendo campos de estudo da Teoria Crítica

c) O endosso de todas as práticas culturais pelo relativismo cultural. 

d) O foco exclusivo na violência física e material. 

e) A separação total da política e dos valores humanos.



Questão 13: As Cosmologias dos povos Panamazônicos e Afrobrasileiros apresentam uma profunda diferença em relação à visão de mundo ocidental moderna por:

a) Adotarem o antropocentrismo radical como princípio ético. 

b) Separarem rigidamente o conhecimento (ciência) da vida (crença). 

c) Não possuírem concepções sobre tempo, espaço ou causalidade. 

d) Enfatizarem a unidade entre natureza, cultura e o cosmos (perspectivismo ameríndio ou visão orgânica de mundo), rejeitando a separação dicotômica. 

e) Defenderem a primazia da tecnologia sobre a oralidade.

Questão 14: O Saber Negro contribui para a cultura amazônica com princípios filosóficos e práticos. Um desses princípios que se opõe ao individualismo radical é:

a) O isolamento na esfera privada. 

b) A rejeição da memória e da ancestralidade. 

c) O Cooperativismo e a Circularidade (noções de comunidade e não linearidade do tempo). 

d) A defesa do totalitarismo. 

e) A subordinação da oralidade à escrita.


Questão 15: A Oralidade e a Ancestralidade são fundamentais para as filosofias afro-diaspóricas porque:

a) São apenas manifestações folclóricas sem valor epistemológico. 

b) Reforçam a importância da escrita como única via de conhecimento. 

c) Atuam como veículos de transmissão de saber, memória e valores, garantindo a sobrevivência das identidades e a ligação com as raízes.

d) Excluem qualquer possibilidade de diálogo com a tecnologia. 

e) São conceitos exclusivos da Indústria Cultural.


Questão 16: A Filosofia da Arte ao analisar as manifestações artísticas dos povos amazônicos deve refletir sobre:

a) A simples imitação estética da natureza local. 

b) O uso da arte apenas para fins comerciais na Sociedade da Informação. 

c) O papel da arte como expressão de cosmovisão e conhecimento (grafismos, rituais), e não apenas como objeto de contemplação estética. 

d) A supremacia do conhecimento ocidental sobre o saber indígena. 

e) A separação absoluta entre corpo e espírito na produção artística.


Questão 17: A valorização do ancião e a partilha são princípios éticos centrais do Saber Indígena porque:

a) Refletem a visão totalitária de poder. 

b) São elementos recentes de sua cosmologia, adotados após o contato. 

c) Fundamentam a organização social na sabedoria acumulada (memória) e na cooperação mútua, essenciais para a sobrevivência e a harmonia comunitária. 

d) Excluem a possibilidade de qualquer engajamento político. 

e) São características exclusivas da juventude urbana do Amazonas.


Questão 18: O debate sobre natureza e cultura, uma das "questões de fronteira", é fundamentalmente desafiado na Amazônia pela cosmovisão indígena. Esse desafio consiste em:

a) Defender a primazia absoluta da cultura sobre todos os elementos naturais. 

b) Rejeitar a ciência ocidental em todas as suas formas. 

c) Postular a unidade ontológica e a interdependência entre os seres vivos e o ambiente, rompendo a dicotomia ocidental que coloca o humano fora ou acima da natureza. d) Focar exclusivamente nas categorias de tempo e extensão. e) Ignorar a existência da violência simbólica e do racismo.

Questão 19: As diferentes juventudes no Brasil e no Amazonas (indígenas, ribeirinhas, urbanas) atuam como agentes de mudança ao:

a) Adotarem passivamente os modelos de consumo da Indústria Cultural. 

b) Recusarem o diálogo e a interação em diferentes culturas. 

c) Promoverem o engajamento político por meio de ativismo digital e mobilizações locais, buscando mais equidade e representação. 

d) Segregarem-se totalmente da esfera pública e privada. 

e) Defenderem a superioridade de uma única cosmologia.


Questão 20: Qual par de conceitos filosóficos representa a base para o enfrentamento da discriminação e do preconceito de qualquer natureza (etnicorracial, sexual ou religiosa)?

a) Totalitarismo e Violência Simbólica. 

b) Cosmologia e Indústria Cultural. 

c) Alteridade e Respeito à Diversidade (de pensamento e crença). 

d) Causalidade e Extensão. 

e) Racismo Estrutural e Cidadania Formal.

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